domingo, 26 de maio de 2013


Continuação da última parte...

Um guarda do palácio interrompeu a conversa tranquila no jardim e foi de encontro á Átrios e Petúnia.

- Diga, o que está havendo?
- Muitas pessoas! Há muitas pessoas no salão.
- Veremos. Fique aqui Petúnia. 


Átrios andou apressadamente pelos corredores do palácio e quando chegou ao saguão do palácio avistou dezenas de famílias praticamente acampadas naquele local e o Senador-Mor Kalifaz expulsando-os aos berros juntos com os guardas do palácio. 

- SAIAM DAQUI ARRUACEIROS! VADIEM EM OUTRO LUGAR!!!
- KALIFAZ! O que está acontecendo aqui?

Um dos pobres necessitados correu e se jogou aos pés de Átrios:

- Meu senhor estamos desesperados perdemos tudo á pouco quando o maremoto levou nossas coisas e destruiu nossas casas á beira do porto, clamamos que nos ajude!
- Imperador eu estava tirando estes vadios daqui.
- Não são vadios Kalifaz, são cidadãos, cidadãos que necessitam de seu Imperador e de seus representantes, como você.
- Eles não me elegeram. 
- Nota-se o porque. Átrios vira-se á um soldado e diz:
- Onde está Patrus? Vá chama-lo soldado. 
- Sim senhor.
- Não se preocupem Carthagianos, já sei o que farei.
- Chamou-me senhor? Disse Patrus chegando prontamente ao saber da ordem de seu imperador. Patrus é o chefe da guarda Imperial.
- Sim Patrus, necessito que desloque alguns guardas para acompanhar estas pessoas até as terras reservadas á guarda e ao Senatório. Estas famílias perderam suas casas e tudo que tinham no maremoto de hoje pela manhã, estou doando aquelas terras á eles para que possam reconstruir suas vidas.

Kalifaz olhou indignado ao Imperador.

Agradecemos imensamente ao senhor Imperador. VIVA ÁTRIOS!
VIVA! VIVA! Respondeu o povo eufórico no saguão.
- Sim senhor, estarei levando-os com os guardas pessoalmente.
- Obrigado Patrus.

Depois que todos se retiraram do saguão e só restar Kalifaz e Átrios, Kalifaz expôs sua indignação:

- Como pode fazer isso?
- Fazendo, eles necessitavam de uma resposta, dei-lhes uma solução.
- O senhor tirou da guarda e do Senatório as terras que lhes eram reservadas.
- Acredito que os guardas não se importaram já que aquelas terras estavam a muito tempo abandonas e somente serviam para as festas e orgias que eles costumam fazer com mulheres baratas, acredito também que os senadores não se importaram, eles possuem muitas terras além daquelas, alguns sei que possuem terras até mesmo fora da Carthagínea. Enriquecem as custas do trabalho de Carthagianos e de trabalhadores de outras cidades-estados... Não é mesmo Kalifaz?
- O que está insinuando?
- Sei de seus acordos extra-oficiais com mercadores do norte. 
- Você tem provas?
- Não, e nem me interesso, pelo menos até o momento que isso afetar o bem de nossa cidade diretamente.
- E se acontecer, o que fará?
- Agirei, serei... Imperial.
- Faça como quiser! Se prefere dar atenção a este tipo de gente que você insiste em considerar cidadãos então que seja! Mas lembre-se de que somente os verdadeiros cidadãos de Carthagus é que detém o poder.
- Engana-se se acha que o poder está sob direito somente nas mãos dos mercadores e patrícios. 
- Se me der licença tratarei de assuntos do Senatório.
- A vontade Senador-Mor. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Carthagínea

Carthagus - 361 a.C

Os ventos sopram á noroeste no sul das terras meridionais, na Carthagínea. Na sua capital Carthagus o porto está abarrotado de embarcações á vela, pequenos barcos pesqueiros e mercadores dispostos á fazer o seu lucro diário, peixes, tecidos, especiarias não param de chegar e partir do porto e seus armazéns, gaivotas pairam sobre as caixas de pescados e entre um grito e outro dos pescadores, elas levam alguns peixes de forma fácil. Entre toda essa confusão de pessoas e ações paralelas passa a comitiva do Imperador Átrios acompanhado pelo Senador-Mor, Kalifaz e outros membros do Senatório, eles querem observar de perto as recém chegadas mercadorias que ajudam a movimentar a economia vigorosa da Carthagínea. 

- Imperador, a maior parte das especiarias estão vindo dos mares do norte.
- Isso deve ser por causa da guerra nos montes do leste Kalifaz, está impedindo que as mercadorias cheguem até o mar Heleno.
- Por sorte mantivemos aquecidos nossos negócios com o norte Imperador.
- De fato Senador Bério, nossa política de diversificação contribui muito para este momento de prosperidade.

A conversa da comitiva é interrompida quando algo é visto no horizonte.

- Mas o que é aquilo?
- Parece ser um...
- MAREMOTO! CORRAM! 

Os guardas que protegia a comitiva imediatamente correram em direção a comitiva e os guiaram para as ladeiras próximas ao porto, os outros que lá estavam também correram, abandonando o porto e subindo as ruas da cidade. Em poucos minutos as ondas atingiram o porto arrastando barcos, peixes, tecidos, e todas as mercadorias que estavam para embarcar ou desembarcando no porto, alguns armazéns ruíram diante do impacto das ondas, do alto, Os que correram do porto assistiam atônitos o mar invadir a bahia de Carthagus e arrasar com quase tudo. A comitiva seguiu de volta ao Palácio das Olivas.
Uma hora depois, Imperador Átrios estava nos jardins do palácio junto com sua esposa.

- Petúnia, por acaso já descansou hoje? 
- Mas é claro Átrios, até demais, por isso vim ao jardim, já estava cansada de ficar deitada.
- Mas uma mulher em suas condições não pode ficar fazendo esforço.
- Andar não é um esforço Átrios.
Átrios ri timidamente diante da resposta de Petúnia fazendo ele notar o quanto sua preocupação já atingia um nível quase ridículo.

- Já escolheu um nome?
- Achei que você quisesse escolher.
- Quero ouvir suas opções primeiro...
- Huum, se for menina pensei em Acácia, e se for menino Hébron.
- Pensei parecido, pensei em Érodo.
- Érodo? 
- Sim, vindo dos deuses.
- Não acha um pouco presunçoso?
- Não, ainda mais da forma que ele foi gerado já que...
- SENHOR! SENHOR!

Um guarda do palácio interrompeu a conversa tranquila no jardim e foi de encontro á Átrios e Petúnia.

- Diga, o que está havendo?
- Muitas pessoas! Há muitas pessoas no salão.
- Veremos. Fique aqui Petúnia.

Continua...